Ao policial morto, o desprezo

Em por Rubens Lemos
Atualizado em 18 de abril às 23:11


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Quando um bandido é preso em flagrante ou é morto pela polícia, a palavra confronto quando não vem aspeada literalmente, vem com o recheio da ironia subliminar.

Bandido é sempre espancado, torturado ou assassinado covardemente. Sem aspas.

Quando mantém inocente como refém(pode ser no plural, com familiares na mira de armas), chegam os seus protetores que adoram mídia. Humanismo de fancaria. De cinismo. Nunca foram vítimas.

Primeira providência: Garantir a integridade dos acusados. Acusados, suspeitos, subprodutos de uma sociedade “injusta”. Fajuta tese: Fosse assim, todo pobre seria ladrão.   Culpados, marginais, facínoras,  ficam por conta dos fascistas, como são chamados os que não gostam de assassinos, estupradores e latrocídas.

Quando morre policial assassinado, um silêncio de desprezo invade as redes sociais, a imprensa e a solidariedade no “lado de lá”parece um espinho incômodo. Não aparece para consolar pais, mulher e filhos de quem padece e é pago para combater o crime.

Quando o policial morto está de folga, então, o vazio é de abismo e de velada desconfiança. O morto, num surrealismo de Dali, parece ter que ressuscitar e provar que é honesto. Gente boa e ruim existe em toda profissão. Na minha também.

Seria o caso, talvez, de a história valer somente na hipótese de suicídio de policial.

Mas antes, seriam feitas acaloradas assembleias, reuniões, 500 discursos e exames, para saber se foi verdade. Mesmo.

Na foto do enterro há um caixão. Dentro dele, o que foi um ser humano. Também. Sem direito, porém.

 


Comentários

3 Respostas para “Ao policial morto, o desprezo”

  1. Ângela R Gurgel

    Talvez eu seja uma sonhadora, uma pessoa fora de sua época, mas não consigo separar o ser humano em categorias. Para mim todos são humanos e merecem respeito. Levo muito a sério o ” todos são igauais, perante a lei e, portanto merecem tratamento igual”. Infelizmente tenho visto, assustada, o crescimento da intolerância, o unilateralidade das lutas. Os defensores dos direitos humanos estão certos (certíssimos) em querer defender a integridade física dos ” acusados” ou bandidos, como queiram, mas pecam quando “esquecem” de fazer a mesma coisa coisa quando a vítima é um policial. Não consigo entender esta lógica. Já tive brigas ferrenhas com amigos muito queridos por causa dessa posição, mas… Você está certo quando cita o caso do policial morto e o silêncio na mídia. Há uma espécie de pacto de silêncio em torno do assunto. Mas, nem sempre é assim, também há silêncio quando a ‘ autoridade’ que mata tem bons relacionamentos e a vítima é apenas um trabalhador. Quem ouve falar no caso do azukzinho que matou Ramom? Infelizmente a injustiça tem raízes espalhadas em todos os lugares e instituições. Ou se investe em educação de qualidade e os pais retomam o DEVER de impor limites aos seus filhos ou retornaremos aos tempos de barbárie, se é que já não estamos de volta a ele… Desculpe o longo cometário.

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  2. Cleber Silva

    É UMA GANA DE COISA… A FALTA DE EDUCAÇÃO PRA TER DISCERNIMENTO E FILTRAR O Q A MIDIA MOSTRA… HIPOCRISIA MESMO… MARASMO… @CLEBERSOCCER

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  3. Pedro Florentino

    Gostei muio da sua crônica, pois estamos rodeados de defensores de bandidos com gravatas e paletó! Temos que defender quem está, nas ruas, defendendo nossas vidas, com suas próprias vidas. Obrigado pelo espaço!

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