Lição do Imperador

Em por François Silvestre
Atualizado em 17 de janeiro às 09:14


Dizia D. Pedro II: “Cada escola aberta é um presídio fechado”. No Brasil republicano de hoje o anúncio de obras prioritárias é a construção de presídios. E a cada um edificado, já conta com lotação completa. Depois, superlota. Enquanto as escolas são abandonadas, depauperadas e jogadas na vala comum da ignorância. Não precisa educar, basta prender. Padre Ausônio Tércio, professor e educador do Diocesano, vaticinou: “D. Pedro era um bocó”.


Pra farra, tem grana

Em por François Silvestre
Atualizado em 17 de janeiro às 06:42


Deu no Novo Jornal:

“O prefeito Carlos Eduardo anunciou em sua conta do Twitter que está acertando a contratação de atrações para o carnaval de Natal, em 2017.

Dentre os anunciados estão Alceu Valença, Margareth Menezes, Moraes Moreira e Monobloco. “Prefeitura e patrocinadores acertando Alceu Valença, Margarete Meneses, Monobloco e Moraes Moreira no nosso carnaval (sic)”, escreveu”.

 

Do Blog:

Enquanto isso não paga em dia salários de servidores. “Nosso carnaval” ou nossa sacanagem? Num momento desses, de falência do erário, o mínimo de compostura seria a ausência total de dinheiro público em folguedos ou contratações de artistas famosos.


Acreditar em quem?

Em por François Silvestre
Atualizado em 16 de janeiro às 14:09


Quando não se sabe quem diz a verdade, se um “preso” fugido ou o governo instituído, pode-se constatar o caos estabelecido. Sem que ninguém perguntasse, um secretário de Estado declarou que não teria havido fuga na rebelião de Alcaçuz. Era uma forma cavilosa de atenuar o descontrole da administração pública no sistema prisional. Aí sai a informação de que dois foragidos foram recapturados. Nunca se tinha ouvido falar em recaptura sem foragido. Se não houve fuga, como há recapturado? E olhe que a “governança inovadora” foi a Minas Gerais colher experiências nessa área. Depois de ter ido a Bogotá instruir-se sobre segurança pública…


Prosa do Domingo

Em por François Silvestre
Atualizado em 18 de janeiro às 16:43


Na Coluna Plural, do Novo Jornal.

 

Curiosidades poéticas.

Sem me atrever a discutir definições ou conceitos poéticos, debate que já produziu tratados, polêmicas, esperneios e intrigas famosas, vou ao trivial.

E como tal, longe de qualquer cientificidade literária, trato tudo no pequenino e atrevido mundo do empirismo.

Até por que de Otávio Paz a Cardoza y Aragón, de Neruda a Tolstoi, de Garcia Lorca a Machado de Assis, de Baudelaire a Fernando Pessoa, para citar poucos, todo mundo já deu seu pitaco sobre conceituação dos modos, formas e alcances da poesia.

Exemplo marcante é a formação estrutural de um idioma a partir da obra poética de um autor. Do inglês, com Chaucer e do português, com Camões.

Se a organização morfológica, no português, deve-se ao teatro de Gil Vicente; foi Camões, na poética, quem edificou a sintaxe portuguesa. Criador de um idioma; a partir de uma algaravia como a última “Flor do Lácio”, da verve de Olavo Bilac. “Ora direis ouvir estrelas”.

De lá pra cá, de tudo e sobre tudo já se escreveu quase tudo. Ainda bem que apenas quase. Pois seria uma monotonia cultural a vida com tudo já resolvido. A incompletude conceitual alimenta criações e permite, na colheita do inquieto, manter acesa a chama do refazer-se. Eternamente.

E a rima? Para o gosto popular a poesia sem rima é prosa curta. Neruda ensinou que poesia é metáfora. E a prosa poética? O Pe. Vieira foi o craque desse estilo. Ao responder o suplício do silêncio imposto, alfinetou a cúria: “Deus, na sua infinita misericórdia, fez surdos os que eram mudos e mudos os que eram surdos. Posto que até a Natureza ao ser agredida com o grito, responde com o eco”.

Há palavras de rima difícil ou até inexistente; exemplo de cinza, painço, nenem. Um violeiro aceitou o desafio e rimou: “Na Bahia de Rui Barbosa/ numa tarde muito cinza/ vi uma velha fanhosa/ que chamava camisa caminza”. Só rima; poesia nada.

“Venho para uma estação de águas nos seus olhos”. Joaquim Cardoso; só poesia, sem rima.

De Neruda, o das metáforas: “Posso escrever os versos mais tristes esta noite./ Escrever, por exemplo: a noite está estrelada e tiritam azuis os astros ao longe./… Embora seja esta a última dor que ela me cause/ e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo”.

Luiz Cardóza y Aragón, o diplomata guatemalteco que acolheu, na embaixada de Bogotá, os fugidos da revolta colombiana, na noite em que foi assassinado Jorge Gaitán, disse: “A poesia é a única prova concreta da existência do homem”.

A rima não é vilã. No bom poema ela se agasalha em lençóis de seda.

D. Pedro II rima e faz poesia no soneto/recado ao ex-amigo Deodoro. Veja a última estrofe : “…Mas a dor que crucia e que maltrata/ que fere o coração e pronto o mata,/ é ver na mão cuspir, à extrema hora,/ a mesma boca aduladora e ingrata/ que tantos beijos nela pôs outrora”. Té mais.

 

De Eva Barros:

“Em boa hora, seu “textinho” super didático.

Respalda nossos retornos… aqueles que intentam lhe parabenizar pelos seus escritos substanciados num humanismo poético/literário de um Joaquim Cardoso. E de um Pe. Vieira e Neruda, principalmente”.

 

Do blog: Tava sumida, por quê?

 

De Eva Barros:

“nocauteada

sobrevivendo pelo q pessoas como v escrevem
outras nem tanto
a guinada à “direita” do chamada Europa ocidental, idem EUA, me deixa com a sensação de gosto a amargo na boca”…

Adutora de ficção

Em por François Silvestre
Atualizado em 13 de janeiro às 08:04


Millôr Fernandes Dizia que “Imprensa é oposição, o resto são secos e molhados”. O rapaz do tempo, no matutino de hoje, finalmente disse que era bom chover. Mas referia-se a Brasília. Ah,bom. Voltando a Millôr, a “adutora” do Alto Oeste, que a mídia noticiou e esqueceu de cobrar, é uma ficção. Faz mais de um mês que não pinga água dessa mentira por aqui. O processo, segundo comenta-se, é desmoralizar a Caern; para vendê-la. Propaganda é o que não falta. Vergonha, sim.


Ignorância jornalística

Em por François Silvestre
Atualizado em 12 de janeiro às 08:50


Hoje, no jornal matutino da Globo, não foi a mocinha. Foi um marmanjo, ignorante e semi-quase imbecil, quem disse: “Da Bahia ao Rio Grande do Norte podem ficar despreocupados, que não chove não”. Despreocupados? Esse fela-da-puta nunca ouviu falar de seca? Despreocupados, seu jegue batizado, ficaremos quando chover. Televisão de merda!


Ficção ministerial

Em por François Silvestre
Atualizado em 11 de janeiro às 10:40


Tudo é possível no Brasil de faz de conta. Há um Ministério da Saúde. Kkkkkk…Há um Ministério da Educação. Kkkkkkkk…Agora vão criar um Ministério da Segurança. Kkkkkkkkkkkkk…Sniif… Sniif…Sniif, um lenço, por favor!


Religiões, hipocrisia e intolerância

Em por François Silvestre
Atualizado em 9 de janeiro às 13:47


Se religiões e igrejas fossem promotoras de tolerância e paz, o Brasil seria um dos países mais pacíficos e tolerantes do Mundo. Mas o Brasil é um dos países mais violentos, intolerantes e hipócritas do Planeta. É também o país mais abastecido de igrejas e denominações religiosas que existe. Em toda biboca há pelo menos uma igreja católica, cinco ou seis igrejas evangélicas ou seitas outras. Numa cidade média, são várias católicas, dezenas de evangélicas, algum centro espírita ou terreiro de Umbanda. Difícil, no Brasil, é você encontrar alguém que não seja ou tenha sido religioso. Na televisão, são inúmeros os canais de programas religiosos. Dia e noite. Insuportavelmente monótonos e monocórdios. Vendem lotes no céu, milagres e milacrias. Só não conseguem ou não têm interesse na promoção da tolerância. O Brasil caminha para o reino da covardia. E na covardia quem manda é a violência. País da religião e da hipocrisia. Falso pacífico. Violento covarde é redundância.


Marcius Cortez e Clauder Arcanjo

Em por François Silvestre
Atualizado em 9 de janeiro às 10:51


Ao chegar em Cajuais da Serra, ontem, encontrei duas grandes figuras de humanidades e letras. Estavam eles em forma de livros. A ficção de “Cambono”, pela lavra de Clauder, e a Crônica de Marcius, “Presente de Natal”. Olhadela rápida e ambos me atiçaram. depois comentarei, após leitura completa. Dois craques.


Prosa do Domingo

Em por François Silvestre
Atualizado em 8 de janeiro às 06:50


Na Coluna Plural, do Novo Jornal.

 

Ano novo, ordem velha.

Começa novo ano na contagem cristã do tempo da idade que os calendários tentam medir. Só tentam, posto que o tempo depende de condicionantes muito longe da capacidade humana da sua medição.

A cada rodada dos séculos, novas formas de medição arrumam os descompassos que a contagem anterior deixou escapar. No papado de Gregório um grupo de cientistas, sob sua delegação, fez uma dessas arrumações. É o nosso “gregoriano” atual, com um dia a mais a cada quatro anos.

Porém, não é dos calendários que este texto tenta refletir. Mesmo sendo também apenas uma tentativa, desejo focar o velho. E o velho a que me refiro não é o ano que passou.

É do velho Sistema, que tento tratar. Caduco e manco Sistema que nos desgoverna e insiste na continuidade, sem sinais de querer a substituição pelo novo.

Muda a folhinha do calendário, mas a folhona do Brasil continua a mesma. Os mesmos a desmandarem. Ou os filhos dos mesmos. Ou os sobrinhos dos mesmos. Ou os netos dos mesmos. Na falta destes, as mulheres dos mesmos. Os genros dos mesmos. Os cunhados dos mesmos. Na falta destes, os afilhados dos mesmos, os amigos dos mesmos, os bajuladores dos mesmos.

No poder direto, por eleição. Ou no poder indireto, por indicação. A Constituição apelidada cidadã mudou a fachada e manteve o interior. Não mexeu no alicerce, nem alterou a estrutura. Foi redigida pelos mesmos. E os mesmos podem ser tudo, mas não são bestas. São sabidamente os mesmos. E a mesma “sabedoria”, que é irmã da esperteza e inimiga da mudança.

O Brasil é tão surreal, pra usar a palavra manjada, que o único Presidente da sua história recente que realmente quis fazer reformas profundas, inclusive a agrária, foi um rico latifundiário. João Goulart foi o único. E caiu por isso.

Tinha ao seu lado um povo desorganizado e inerme. E contra ele, os quartéis armados e politicados. Tudo com o apoio estadunidense, com medo de mais um inimigo no Continente.

Sarney, Collor, Fernando Henrique e Lula nunca quiseram reformar coisa alguma. Lula, que prometera nova era, semeou a mesma velhice costumeira. Entre o populismo, peleguismo e esmola. Teve tudo para reformar, mas queria apenas um projeto de poder. Teoricamente sustentado na versão tupiniquim do leninismo de José Dirceu. Alianças e negócios sem escrúpulos.

Teve apoio popular, silêncio dos quartéis, não interferência americana, ausência da guerra fria. Um momento ímpar para mudanças.

Mas assim como o tigre, mamífero, abandona o gosto do leite após sentir o sabor do sangue, o PT abandonou o discurso da mudança ao saborear o poder.

E igualmente ao tigre, ao abocanhar a carne, não resistiu ao novo prazer da riqueza. Lambuzou-se de mel e lama.

Fizeram com a esquerda, no Brasil, o que a União Soviética fez com o marxismo. Roubaram-lhes o discurso. Té mais.