Tacanha do Norte (Capítulo 1) – A Cidade de Oxto

Em por Carlos Magno
Atualizado em 5 de março às 18:14


TACANHA1
Tacanha do Norte era uma cidadezinha pacata e sem grandes atrativos ou pretensões. Não se destacava na indústria nem tão pouco nos serviços. Aqui a regra era viver sem muito esforço e trabalhar mantendo esta mesma máxima.
Todos os anos Tacanha do Norte recebia levas de aposentados de outras cidades em busca de uma vida mais tranquila junto às praias paradisíacas que a cercavam, quase sempre oriundos do funcionalismo público ou das forças armadas. Por vários anos Tacanha foi considerada um tipo de “cemitério de elefantes” para velhinhos com dinheiro no bolso.
A economia tacanhense baseava-se no turismo e numa indústria hoteleira que pouco ou quase nada refletia na renda dos locais. Hordas de estudantes tentavam anos seguidos um ingresso nos empregos públicos, criando um movimento “tábua salva vidas ” que se alastrava e acomodava as cabeças dos jovens.

Salvo raras exceções, o tacanhense acomodava-se com a situação branda e confortável numa rotina de trabalho repetitiva. Por lá a máxima “moro onde você passa férias” era habitual e quase uma muleta que auxiliava ideia de que viviam no Éden.

Política de coronéis, corrupção familiar, empregos por indicação, fraudes nas mais diversas áreas e é claro uma alternância de poder que sempre estava presente nas urnas. Tacanha do Norte era uma cidade normal, feita para gente mediana e habitada por pessoas regulares. Estava tudo em perfeita harmonia.

O bom cidadão tacanhense abdicava de quase tudo para estar sempre com um carro novo e um smartphone de última geração. Para alcançar esse objetivo, valia tudo: fazer um novo empréstimo no banco ou até mesmo diminuir a feira do mês. A lei da aparência exigia sacrifícios.”

Alta sociedade? Lá também existia e nela reinavam colunistas e puxa-sacos de toda estirpe, daqueles que se aproveitam dos ofícios para conseguir favores em restaurantes e qualquer outro serviço ou produto que lhes era interessante.
Eram temidos pelo povo tacanhense, mas não pelo que poderiam fazer, e sim pelo que diziam poder fazer.

Mas nem tudo eram mazelas em Tacanha.
Aqui a culinária regional fazia inveja aos melhores restante do país e um povo hospitaleiro dava as boas vindas aos forasteiros que por aquelas bandas passavam.
As belezas naturais eram o carro chefe do local, com praias, lagoas, bosques e dunas que mais pareciam açúcar de confeiteiro.
O bairro do Majericão era, apesar do seu caos habitual, um paraíso pra as compras. Limpadores de fogão, mantimentos, serviços, feira, doces, peixe, escolas, consultórios, camelôs, mendigos e tudo mais que alguém possa imaginar estava lá.
Se alguém precisasse de um transplante de pulmão onde o doador fosse natural do Alaska e vesgo do olho esquerdo… encontraria no Manjericão.

E foi no meio desta balbúrdia que nasceu Oxto.
Oxto Campos Xavier. Um cara normal, um cidadão pacato e ordeiro que mal sabia que sua vida mudaria completamente depois da chegada deles…

[Continua semana que vem!] :)


Comentários

5 Respostas para “Tacanha do Norte (Capítulo 1) – A Cidade de Oxto”

  1. Debby

    Conheço a cidade de algum lugar… Vamos esperar as cenas do próximo capítulo para eu ter as coisas ficarem mais claras, rs.

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  2. Tereza Ratts

    Pra quando o proximo capitulo? 😀

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  3. Eucladia Marques

    Ansiosa pelo próximo capítulo.

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