Tacanha do Norte (Capítulo 3) – O Primeiro Contato

Em por Carlos Magno
Atualizado em 5 de abril às 14:33


PRIMEIROC
Logo Oxto avistou outras luzes avermelhadas. Eram dezenas delas sempre sobre pontos estratégicos da cidade: Prefeitura, Câmara dos deputados, jornais locais e emissoras de rádio e TV.
A sincronia dos sons e a cadência das luzes que se alternavam em nuances mais claros e mais fortes logo chamou a atenção de todos, que fixavam os olhos no céu a esta altura já quase totalmente avermelhado, formando um crepúsculo forçado no Manjericão.
— Isso não pode ser coisa de Deus – pessoas falavam em uníssono murmurando pensamentos.
Oxto correu o mais rápido que podia e entrou em casa arrastando sua mãe já em choque com a situação.
– Acorda, mãe. Acorda! – Repetia Oxto em desespero numa tentativa de entender o que se passava.
Nem água com açúcar nem chá de cidreira deram resultado. Dona Emengarda só viria a melhorar depois de alguns minutos e muita correria dentro de casa.

— Oxto, meu filho, venha cá que preciso te falar uma coisa – disse D. Emengarda ainda meio atordoada com a situação.
— O que foi mãe? A senhora está bem?
— Sim, meu filho. Estou bem mas preciso contar uma coisa que deveria ter contado há algum tempo.
Oxto nesse momento começou a sentir algum nervosismo, pois sabia que de alguma forma sua mãe entendia o que se passava.

— Eles chegaram há alguns dias, meu filho.
— Eles “quem”?, mãe? De quem a senhora está falando?
— Eles, meu filho. Eles – repetia incessantemente a mãe de Oxto ainda meio em choque.

Oxto desligou o fogão havia sido esquecido com uma panela e fechou a torneira da pia da cozinha.
Fechou as portas e sentou-se do lado da mãe para então começar a bateria de perguntas que tinha por fazer.
Antes de qualquer interrogação alguém bateu na porta de forma ordeira e calma em tamanha confusão.
— Abra por favor que preciso falar com a D. Emengarda – disse a voz conhecida do outro la,do da porta.
– Conheço esta voz – pensou Oxto.
Correu em direção a porta e depois do “jeitinho” que só quem morava na casa sabia, conseguiu dar a meia-volta necessária para abrir a fechadura.

Ao pressionar a maçaneta e puxar a porta o susto tomou conta do rosto do Oxto, que rapidamente num ato de reflexo bateu a porta de volta com a maior força que podia na cara do convidado.
Com o coração ofegante e a mão ainda pressionando a maçaneta em sentido contrário, sentiu a mesma sendo pressionada forçando a entrada.

— O que você quer?
— Abra a porta, Oxto – repetia voz plácida e conhecida do lado de fora.
— Por favor vai embora! – gritava Oxto em desespero.
Do fundo da sala sua mãe já mais calma fala:
– Oxto, meu filho, abra a porta que eu vou explicar tudo pra você.
E assim as mãos já suadas de Oxto largaram a maçaneta já gasta e enferrujada da porta da sala, deixando entrar o dono da voz conhecida mas de aparência grotesca e assustadora.
A voz era a do administrador do Mercado do Manjericão, conhecido pelas falcatruas e artimanhas para lucrar com os comerciantes locais, como Dona Emengarda, mas o que assustava e não deixava o espanto sair do semblante de Oxto era a aparência do dono da voz.
Não era um homem. Não era o Sr. Alcides, o Administrador do mercado.
Era um porco que andava em sobre as patas traseiras e de coluna ereta. Era um porco com a voz do Sr. Alcides.
Era um porco… e o fedor tomou conta da sala.
[continua…]


Comentários

Uma Resposta para “Tacanha do Norte (Capítulo 3) – O Primeiro Contato”

  1. Debby

    Nossa, essa parte da história me lembrou um episódio do “Doctor Who?” que tinha um porco alienígena, rs.
    Vamo que vamo, tô curtindo passear na sua imaginação fértil, rs. :)

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