O ladrão de almas

Em por Carlos Magno
Atualizado em 20 de outubro às 17:06


ladrao
Ele chegou chegou em casa sem saber o que fazer. Ainda trêmulo, foi rapidamente preparar um café coado da região norte do Sumatra que aprecia somente em momentos especiais.
Deitou no seu sofá feito com palets e sacos de estopa ainda com os olhos marejados e ligou a TV no canal OFF.
Fui tudo muito rápido. O meliante chegou e simplesmente levou a coisa mais importante de sua vida.
Levou o orgulho e a vontade de viver. Levou a personalidade e anos de cultivo de uma vida totalmente voltada ao “ser único” se parecendo com todo mundo.

A bicicleta de fibra de carbono já não satisfazia… e a vida já não corria bem nas redes WIFI gratuitas do Starbucks. O sorriso se foi e agora Pablo era mais um na multidão. Sem diferenciais ou referências. Sem rótulos.

Ele não sabia o que fazer nem como explicar o ocorrido aos amigos. Pablo se sentia mutilado.

Não adiantou colocar sua camisa xadrez nem passear com Sushi (o nome do seu bulldog francês que teve um aneurisma cerebral).

O que aconteceu com Pablo poderia ter acontecido com qualquer um.
Como se vive sem fazer selfies cheio de amigos parecidos? Nem os filtros mais destruidores em sépia do Instagram resolveriam tal problema.

O ladrão inescrupuloso não levou somente a alma de Pablo. Ele levara a parte mais importante da sua existência como Hipster.

Pablo agora tinha sua cara de bunda visível como todo mundo e isso o assustava.
O nariz fiou maior e a boca maio murcha.
Todas as espinhas apareceram e foi possível perceber que Pablo, assim como todo mundo da sua idade tinha cara de punheteiro.

Agora sem barba e sem mulheres, o ex-hipster espinhento de a boca mole precisava depilar a mão direita e comprar um estoque maior de amaciante Dove para saciar suas fantasias de forma solitária.

Do seu antigo universo só restou seu coque no topo da cabeça, algumas camisas xadrez e uma foto escondida do modelo do comercial da Trivago.

Mas Pablo deu a volta por cima e deixou esta coisa besta de ser Hipster pra lá! Coisa do passado!
O melhor é aproveitar a cara limpa, comprar umas calças de couro, gel e cigarros.
Pablo agora é um feliz “rock a billy”!


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